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Dólar alto e praias com óleo: como será a alta temporada para o turismo?

Com a diminuição crescente dos sinais de petróleo cru no Nordeste, mercado está otimista, mas quem pretende viajar para o exterior deve ficar de olho nos gastos

 

Não foi um ano fácil para o turismo nacional. Neste 2019, a Avianca entrou em recuperação judicialas praias do Nordeste, cartões-postais do Brasil, foram invadidas por petróleo cru; e, por fim, a disparada do dólar (e, por consequência, do euro) comprometeu os planos de quem planejava uma ida ao exterior. Com essa junção de fatores, o que o turista pode esperar para 2020 – especialmente durante a alta temporada?

De modo geral, o setor está otimista. A incidência das manchas de óleo está diminuindo e a Black Friday ajudou a movimentar os próximos meses com ofertas possíveis de serem aproveitadas na alta temporada. E quanto ao dólar? Bem, o dólar, por enquanto, continua acima dos R$ 4 mesmo – e quem tem viagem marcada ou não quer abrir mão de viajar ao exterior tem de mudar hábitos ou escolher outro destino para economizar.

Segundo Roberto Nedelciu, presidente Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), em 2018 o Nordeste representou 50% das vendas (cerca de 2,8 milhões de pessoas) das viagens nacionais. Este ano, com as notícias sobre o óleo nas praias, a procura pelo Nordeste caiu, mas aumentou para outros destinos nacionais, como Amazônia, Chapadas dos Veadeiros, Guimarães e das Mesas e Foz do Iguaçu. De acordo com dados do buscador de passagens aéreas KayakBelém (PA) foi o destino que apresentou o maior aumento de procura para o verão, com 103% de variação. Manaus é o terceiro da lista (+55%), atrás de São Paulo (+62%).

Demanda reprimida

No entanto, Nedelciu explica que, com a diminuição das manchas, há um movimento de retomada, com a volta do interesse do consumidor e, ao mesmo tempo, bons preços para viajar. “Há promoções muito boas para o Nordeste. É uma boa oportunidade para procurar o destino.”

A operadora CVC, por exemplo, estendeu a promoção da Black Friday para até o fim do mês, com ofertas para viajar já em janeiro e fevereiro, como forma de alavancar as vendas para o Nordeste. Segundo Viviane Pio, gerente executiva de suporte às vendas da operadora CVC, as pessoas demoraram mais para escolher o destino de férias por causa das notícias das manchas de óleo. “Tinha um pouco de demanda reprimida por causa das notícias”, diz.

Ela explica que a Black Friday estimulou as vendas tanto entre quem não tinha planos e quis aproveitar os preços quanto entre quem estava esperando uma boa oportunidade para as férias. “Tivemos um volume de compra muito grande. Os cinco principais destinos vendidos no mês de novembro foram para o Nordeste”, conta. Ainda sem números finais consolidados, Viviane afirma que o cenário é de otimismo. “As lojas estão cheias e as vendas deste ano já devem ter se igualado ao volume do ano passado.”

Sérgio Souza, presidente da Resorts Brasil (Associação Brasileira de Resorts) também acredita que havia uma demanda reprimida para as viagens ao Nordeste. “Houve uma paralisação na decisão de compra naquele momento (do surgimento das manchas) porque ainda estava um pouco longe do período da alta temporada”, explica. Dos 55 resorts associados, 29 ficam no Nordeste. “Ficamos muito preocupados que afetaria a alta temporada, mas foi um susto que passou”, diz.

Mais procurados

Dados do buscador de passagens aéreas Voopter apontam que, mesmo no auge das notícias sobre as manchas, destinos como Fortaleza, Recife Salvador se mantiveram entre os cinco mais procurados entre os nacionais para compra de passagens no período do verão. No último levantamento, feito entre 3 de outubro e 2 de dezembro, as cidades seguem, respectivamente, em 3º, 4º e 5º lugar na lista dos mais buscados, que ainda tem Maceió (8º) e Natal (9º) no ranking.

Esse cenário contribui para um clima de otimismo. “As manchas foram embora e a alta do dólar estimula que o turista brasileiro fique no Brasil. Ao mesmo tempo, nosso produto fica mais atraente para o turista internacional”, diz Sérgio Souza, da Resorts Brasil.

O publicitário Marcelo Oliveira foi um dos brasileiros que acabaram optando por viajar dentro do País. Ele tinha planos de comemorar oito anos de casamento com o marido no México, mas acabou trocando por uma viagem mais econômica para a Serra Gaúcha. “Nos hospedamos em Airbnb e fizemos um day spa em um hotel bacana”, conta.

Para quem já tinha viagem reservada, como a família de Evelyn Trotta, o jeito foi cortar as despesas. “Antes chegávamos aqui e comprávamos como loucos. Agora estamos só passeando mesmo”, explica ela, que está em Orlando com o marido e os dois filhos. Para economizar durante a visita aos parques da Flórida, eles criaram soluções como levar lanche de casa. “O preço da comida está um absurdo. Sentimos aquele cheiro de pipoca, os filhos pediram, mas custava US$ 12. Achei muito caro.”

A seguir, damos dicas para quem, como Evelyn, tem viagem marcada e quer economizar. E se você ainda quer viajar, mas precisa de um lugar mais em conta, selecionamos opções para substituir – com os prós e contras que envolvem a decisão.