Blog Resorts Brasil

Entretenimento e reformulação movimentam a nova fase dos resorts brasileiros

Um momento de retomada, transição e reestruturação. Em poucas palavras, é este o cenário do mercado brasileiro de resorts, que em meio a um crescimento, após os baixos resultados do início do ano, vê empreendimentos criarem novas estruturas de produtos e serviços visando, em alguns casos, diversificar as fontes de faturamento, em outros mudar a proposta e em todos sofrer menos com a sazonalidade.

O movimento que se iniciou em 2018, teve a Rede Iberostar implantando a sua área Star Prestige, que oferece espaços e serviços exclusivos dentro de um resort all inclusive. Outros movimentos se seguiram com o Rio Quente anunciando a sua nova holding Aviva, focada em entretenimento, o Mabu, lançando o Blue Park e Infinity Blue realizando um retrofit completo, mudando o posicionamento de marca. O Ocean Palace, em Natal, também renovou todos as suas suítes.

“Não é pontual. A verdade é que há um movimento grande dentro do segmento para oferecer produtos novos. O objetivo é criar um serviço diferenciado para aumentar o tíquete médio. Isso se observa pela criação de um upscale interno em alguns resorts, ou pela implantação de parques aquáticos ou temáticos, para diversificar o público e sofrer menos com sazonalidade”, explica Ricardo Domingues, diretor-executivo da Associação Brasileira de Resorts (ABR).

RESORTS EM NÚMEROS

Este impacto da sazonalidade, de qual os resorts querem ser menos dependentes foi sentido no primeiro trimestre de 2019, quando os empreendimentos brasileiros tiveram uma queda de 11,5% na taxa de ocupação. Já o TRevPAR, caiu tanto em termos nominais (- 5,94%), quanto reais ( – 12,3%). A empregabilidade também teve queda de 2,94%. Dois fatores foram fundamentais para os resultados, o aumento das passagens aéreas e a crise na Argentina, que reduziu o número de turistas argentinos em resorts de todo o país.

“Estes números apresentaram um queda em função da dependência do mercado argentino. Por ser um publico muito presente nos últimos anos, principalmente em resorts do sul, sudeste e nordeste, a queda de presença faz com que os resorts sintam muito. O aumento das passagens aéreas também foi responsável por esta queda”, destaca Domingues.

Apesar da queda no primeiro trimestre, os resultados do 1º semestre surpreenderam o setor. De acordo com a ABR, o segundo trimestre equilibrou os resultados do primeiro, principalmente com o reaquecimento do segmento de eventos.

“Os resultados do segundo trimestre não dependem das férias e do público argentino, por isso não tiveram efeitos negativos. Este período é mais influenciado pelo segmento corporativo e de eventos, que mostrou uma retomada, com isto o cenário ficou mais positivo. Com isso os resultados no acumulado do semestre foram melhores que o do primeiro trimestre isolado”, completa o executivo.

PERSPECTIVAS

Apesar da desaceleração no início do ano, o panorama do setor para o restante de 2019 é favorável. Além da instabilidade do dólar, que influenciou um aumento nas reservas de resort no mês de julho, o setor vem apresentando um crescimento nos número de lazer aos fins de semana com os públicos regionais. O fenômeno, curiosamente, é influenciado pela alta mas passagens aéreas.

“Os dados do segundo trimestre mostram um grande crescimento de ocupação nos fins de semana nos grandes centros. O lazer teve um aumento impulsionado principalmente pelo público emissor da região. Isso é reflexo do aumento dos bilhetes aéreos, que fez com que as pessoas procurarem resorts no mesmo estado. Em estados como Bahia, Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerias percebemos este aumento”, salienta Ricardo Domingues.

Ele citou exemplos como empreendimentos de Mata São João, na Bahia, Costa Verde e Mar, em Santa Catarina, Teresópolis do Rio de Janeiro, e Serra da Mantiqueira em São Paulo e Minas Gerais. Os dados deste aumento serão divulgados no relatório Resorts em Números, que será publicado já nas próximas semanas.

RENOVAÇÃO DO SETOR

Analisando somente 2019,a movimentação do setor para reformular e criar novos atrativos movimentou milhões em investimentos nas áreas de lazer, infraestrutura, entretenimento em hotelaria.

O Infinity Blue, por exemplo, prevê investimentos de R$ 10 milhões até 2020, com modificações para ter quartos renovados, atendimento personalizado da entrada à saída e uma nova estrutura de serviços e parcerias nas áreas de gastronomia, saúde e bem-estar.

Já a Aviva anunciou revelou os trabalhos de reestruturação que vêm sendo feitos no complexo hoteleiro de Costa do Sauipe, cujo destaque é a construção de um parque aquático temático a partir de 2020, e a promoção de eventos corporativos de grande porte. O parque aquático, projetado para ser o primeiro temático do Brasil, seguirá os moldes do Hot Park de Rio Quente, em Goiás.

Outro exemplo é o Ocean Palace, de Natal (RN), que investiu R$ 15 milhões, mesmo valor investido pelo Grupo Vila Galé, que aplicou o valor na criação de restaurantes, novos espaços para hóspedes e melhorias na experiência de hospedagem em todo o Brasil. Os investimentos foram reconhecidos já este ano, com prêmios na etapa da sul-americana do World TravelAwards. O Vila Galé Cumbuco (CE) venceu na categoria melhor resort de praia e o Vila Galé Touros (RN), como melhor novo hotel.

“É um reflexo do interesse de empresários em realizar neste setor. Estas melhorias mostram que os resorts estão no mesmo nível dos produtos internacionais e prontos para receber todos os tipos de público”, finaliza o diretor-executivo da ABR.